| Circular nº 010 | URANOMETRIA NOVA
| 2003.OUT.12
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Irineu Gomes Varella
Priscila Di Cianni
Ferraz de Oliveira
Os eclipses da Lua ocorrem toda vez que o nosso satélite penetra no cone de sombra projetado pela Terra no espaço. Estando, portanto, do lado oposto ao Sol, os eclipses lunares só podem ter lugar quando a Lua passa pela fase de cheia.
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Iluminada pelo Sol, a Terra projeta no espaço dois cones: o de sombra e um de penumbra. Em seu movimento orbital ao redor da Terra, em certas ocasiões, a Lua penetra no cone de penumbra e temos o chamado eclipse penumbral, muito dificil de ser observado, uma vez que a atenuação do brilho lunar é quase imperceptível.
Em determinadas condições a Lua pode atravessar parcial ou totalmente o cone de sombra, ocorrendo aí, o ECLIPSE LUNAR propriamente dito.
No início da noite de 08 de novembro poderemos observar ( se as condições meteorológicas permitirem ) um ECLIPSE TOTAL DA LUA, cujas etapas poderão ser acompanhadas nos horários relacionados na tabela adiante.Os horários foram calculados pelo método clássico, com aumento de 2% no raio angular aparente da sombra e da penumbra e pelo método de Danjon introduzindo-se correções no valor da paralaxe lunar. Não está considerado, em nenhuma das tabelas, o horário de verão em vigor em alguns estados brasileiros.
HORÁRIOS DAS OCORRÊNCIAS DAS DIVERSAS FASES
NºFASES F DATA CLÁSSICO DANJON 1.Entrada da Lua na penumbra P1 08.11.2003 19h 15m ------- 2.Entrada da Lua na sombra U1 08.11.2003 20h 32m 20h 34m 3.Início do eclipse total U2 08.11.2003 22h 07m 22h 08m 4.Meio do eclipse M 08.11.2003 22h 18m 22h 19m 5.Fim do eclipse total U3 08.11.2003 22h 30m 22h 30m 6.Saida da Lua da sombra U4 09.11.2003 00h 05m 00h 04m 7.Saida da Lua da penumbra P4 09.11.2003 01h 22m -------
OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE O ECLIPSE
CLÁSSICO DANJONDuração do eclipse total U3 - U2 23 minutos 22 minutosDuração do eclipse pela sombra U4 - U1 03h 33m 03h 30mDuração total do eclipse P4 - P1 06h 07mMagnitude do eclipse pela sombra g 1,022 1,017
O diagrama seguinte representa um corte da região da penumbra e da sombra projetadas pela Terra, na posição correspondente à distância da Lua, ilustrando as diversas fases do fenômeno que será observado.
A Lua permanecerá totalmente mergulhada na sombra da Terra durante 23 minutos, intervalo muito menor do que a máxima duração possível para esse tipo de fenômeno que é de 1h 47min.
Embora sendo um astro iluminado pelo Sol e estando imersa na sombra da Terra, a Lua não se tornará invisível. É que uma pequena parte dos raios solares que atravessam a atmosfera terrestre sofre desvio ( refração ) e atinge o disco lunar permitindo sua percepção. As condições atmosféricas da Terra, no momento do eclipse, determinam a coloração da Lua no instante da totalidade. Em muitas ocasiões, a Lua se apresenta com uma coloração avermelhada e em outras muito escura, quando na atmosfera existem grandes quantidades de partículas geradas, principalmente, pelas erupções vulcânicas.
A OBSERVAÇÃO DO ECLIPSE
O eclipse poderá ser observado a olho nu ou com o auxílio de binóculos, lunetas ou telescópios, uma vez que este fenômeno não traz quaisquer prejuízos à visão, ao contrário do que ocorre com os eclipses solares. O amador em astronomia que disponha de um pequeno instrumento para a observação poderá acompanhá-lo cronometrando os instantes das diversas fases, assim como a passagem da sombra pelas inúmeras crateras, mares e montanhas lunares.O eclipse lunar do dia 08/09 de novembro poderá ser acompanhado em quase todo o território nacional. Somente no extremo oeste do território nacional (Acre e o sudoeste do Amazonas) a entrada da Lua na penumbra não poderá ser observada. Deve-se, ainda, ter em conta que os horários de ocorrência das diversas fases do fenômeno não são os mesmos em todos os lugares do Brasil.
Os observadores situados em Roraima, Amazonas, Pará ( a oeste do Rio Xingu ), Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, verão o eclipse com uma hora de diferença ( para menos ) em relação àqueles situados nas regiões sul, sudeste e nordeste do Brasil para os quais valem os dados da tabela anterior. Assim, por exemplo, em Boa Vista, Manaus, Porto Velho, Cuiabá e Campo Grande, o início do eclipse total dar-se-á às 21h 07m do dia 08 de novembro e o meio do eclipse às 21h 18m também em 08 de novembro. Nos locais acima citados, somente a saida da Lua da penumbra ocorre em 09 de novembro, às 00h 22m.
No Acre e na região do Amazonas situada a oeste da linha que liga Tabatinga a Porto Acre, deve-se subtrair 2h dos horários apresentados na tabela, devendo-se, também, ater-se às alterações de datas. Nestes últimos locais, todas as fases ocorrem em 08 de novembro.
Para os observadores no Uruguai e na Argentina, os horários das diversas fases são os mesmos tabelados para Brasília.
IMPORTÂNCIA DOS ECLIPSES LUNARES
Do ponto de vista científico os eclipses lunares tem menor importância que os eclipses solares. Mesmo assim, as observações das diversas fases do eclipse lunar permitem, pela comparação entre os instantes observados e os previstos, melhorar o nosso conhecimento sobre o movimento orbital da Lua e sobre o movimento de rotação da Terra.Permite, também, aprimorar o método de cálculo dos eclipses lunares. Dois procedimentos são utilizados para o cálculo dos horários das diversas fases: o chamado método clássico que considera os raios aparentes da sombra e da penumbra aumentados em 2% para dar conta dos efeitos da atmosfera terrestre e o método devido ao astrônomo francês André Danjon que utiliza um valor aumentado da paralaxe lunar para dar conta dos efeitos citados. No primeiro procedimento os tamanhos da sombra e da penumbra são aumentados na mesma proporção enquanto que no segundo método os aumentos são desiguais, o que provoca alteração nos instantes previstos pelos dois métodos. Uma observação cuidadosa do início e do fim de cada etapa permite acumular dados para que se possa decidir qual dos dois procedimentos oferece os melhores resultados no cálculo da previsão.
Além disso, a observação da Lua na faixa do infra-vermelho, no período em que ela se encontra mergulhada no interior do cone de sombra da Terra, oferece material científico para se estudar as variações das temperaturas na superfície da Lua à medida que nosso satélite é obscurecido.
Outro trabalho observacional interessante e ao alcance dos que possuem pequenos telescópios é a observação e cronometragem dos instantes em que a sombra da Terra passa por algumas crateras lunares. São necessários para isso, além de um pequeno telescópio ou um binóculo, um relógio aferido e um mapa da superfície lunar para que possam ser identificadas as crateras. A tabela adiante fornece os instantes previstos para a passagem da sombra terrestre em algumas crateras de grande tamanho. Os instantes foram calculados pelo astrônomo norte-americano Fred Espenak, da NASA.
PASSAGEM DA SOMBRA TERRESTRE EM ALGUMAS CRATERAS DA LUA
( Em 08 de novembro, Tempo Legal do Fuso 3h Oeste )
IMERSÃO CRATERA EMERSÃO CRATERA 20:40 Aristarchus 22:51 Grimaldi 20:46 Grimaldi 22:54 Billy 20:48 Kepler 22:58 Campanus 20:50 Plato 22:59 Tycho 20:51 Pytheas 23:08 Kepler 20:53 Timocharis 23:10 Aristarchus 20:55 Copernicus 23:18 Copernicus 20:56 Billy 23:21 Pytheas 20:59 Aristoteles 23:26 Timocharis 21:01 Eudoxus 23:33 Plato 21:07 Manilius 23:36 Manilius 21:10 Menelaus 23:38 Dionysius 21:14 Plinius 23:40 Menelaus 21:15 Campanus 23:42 Eudoxus 21:17 Dionysius 23:43 Aristoteles 21:24 Proclus 23:44 Plinius 21:28 Taruntius 23:47 Goclenius 21:34 Tycho 23:53 Taruntius 21:35 Goclenius 23:54 Langrenus 21:39 Langrenus 23:55 ProclusOS PRÓXIMOS ECLIPSES DA LUA
NºDATA * TIPO VISIBILIDADE NO BRASIL 012004.MAI.04 Total Visível parcialmente. A Lua nasce eclipsada. 022004.OUT.28 Total Visível em todo o território brasileiro. 032005.ABR.24 Penumbral Invisível no Brasil. 042005.OUT.17 Parcial Invisível no Brasil. 052006.MAR.14 Penumbral Observável em todo o território brasileiro. 062006.SET.07 Parcial Invisível no Brasil. 072007.MAR.03 Total A fase penumbral inicial será invisível no Brasil. 082007.AGO.28 Total Somente as fases iniciais serão visíveis no Brasil. 092008.FEV.21 Total Visível em todo o território brasileiro. 102008.AGO.16 Parcial Somente as fases finais serão visíveis no Brasil. 112009.FEV.09 Penumbral Invisível no Brasil. 122009.JUL.07 Penumbral Invisível no Brasil. 132009.AGO.05 Penumbral Observável em todo o território brasileiro. 142009.DEZ.31 Parcial Invisível no Brasil. 152010.JUN.26 Parcial Invisível no Brasil. 162010.DEZ.21 Total Somente as fases finais serão invisíveis no Brasil. * As datas referem-se ao instante do meio do eclipse em tempo legal do fuso -3h (Hora de Brasília).