nº 024
15 de Março de 2006

Eclipse Total do Sol

29 de março de 2006

 
Irineu G. Varella & Priscila D. C. F. de Oliveira
 

Os eclipses solares ocorrem toda vez que a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol. Estando, portanto, em conjunção com o Sol, os eclipses solares só podem ter lugar quando a Lua passa pela fase de Lua Nova.
Fig. 1 - Quando ocorre um eclipse solar, a Lua encontra-se na fase de nova.

Os eclipses solares só podem ser observados nas regiões da Terra onde os cones de sombra (umbra) e de penumbra da Lua interceptarem a superfície terrestre. Os observadores localizados nas regiões onde a sombra da Lua atinge a Terra verão o eclipse total. Nos locais onde apenas o cone de penumbra atinge a Terra, o eclipse é parcial. NUNCA OBSERVE O SOL, MESMO DURANTE UM ECLIPSE, SEM A DEVIDA PROTEÇÃO PARA A VISTA.

 
Fig. 2 - Eclipse total do Sol
 
Fig. 3 - Eclipse parcial do Sol

A figura abaixo, elaborada pelo astrônomo norte-americano Fred Espenak, da NASA, ilustra a trajetória da sombra da Lua na superfície terrestre (a faixa em azul escuro). O deslocamento da sombra se dá no sentido da rotação da Terra, isto é, para leste (E). Assim, as primeiras localidades a observar o eclipse total estão no Brasil e as últimas na Rússia. O deslocamento da sombra na superfície terrestre resulta da composição dos movimentos da Lua ao redor da Terra (movimento de revolução) e dos movimentos do nosso próprio planeta (rotação e translação).
Fig. 4 - Regiões de visibilidade do eclipse total do Sol de 29 de março de 2006.


A faixa de totalidade, que corresponde à trajetória da sombra da Lua sobre a superfície terrestre, atravessa os seguintes países: Brasil (extremo NE), Costa do Marfim (extremo SE), Gana, Togo, Benin, Nigéria, Níger, Chade (extremo NO), Líbia (onde a totalidade terá a máxima duração: 04m 10s), Egito (extremo NO), Turquia (asiática), Geórgia, Casaquistão e Rússia.

Na tabela 1 estão relacionados os dados necessários à observação do eclipse em várias cidades brasileiras. Nas colunas encontram-se os horários do nascer do Sol (N), os horários do máximo e do fim do eclipse, a duração em minutos (Dur), assim como a altura (h) e o azimute (Az) do Sol nos instantes considerados. A grandeza (g) representa a fração do diâmetro solar encoberto pela Lua e o obscurecimento (O) representa a porcentagem do disco solar encoberto pela Lua.

Para Natal-RN, única capital em que se poderá observar o eclipse total, os dados encontram-se na tabela 2. Para essa cidade, estão relacionados os instantes do início, do máximo e do fim da TOTALIDADE, além do instante do fim do eclipse, a duração da totalidade, a grandeza do eclipse e o obscurecimento do disco solar.

 
TABELA 1 - EFEMÉRIDES LOCAIS PARA O ECLIPSE
 

LOCAIS  
N
 
Máximo
 
h
 
Az
 
Fim
 
h
 
Az
 
Dur.
 
g
 
O

Aracajú-SE  
05:32
05:33
00º
87º
06:29
13º
84º
57
0,88
85%
Belém-PA  
06:16
-----
---
---
06:34
04º
86º
18
0,87
84%
Belo Horizonte-MG  
06:02
 
-----
 
---
 
---
 
06:19
 
03º
 
85º
 
17
 
0,59
 
50%
Brasília-DF  
06:17
 
-----
 
---
 
---
 
06:24
 
02º
 
86º
 
07
 
0,72
 
66%
Fortaleza-CE  
05:36
05:37
00º
87º
06:35
14º
86º
59
0,94
93%
Gioânia-GO  
06:22
-----
---
---
06:23
00º
87º
01
0,69
62%
João Pessoa-PB  
05:23
05:35
02º
86º
06:34
17º
84º
71
0,99
99%
Macapá-AP  
06:26
-----
---
---
06:35
02º
87º
09
0,83
79%
Maceió-AL  
05:27
05:33
01º
86º
06:31
15º
84º
64
0,91
90%
Palmas-TO  
06:17
-----
---
---
06:28
02º
86º
11
0,90
88%
Recife-PE  
05:23
 
05:34
 
0
 
86º
 
06:33
 
16º
 
84º
 
70
 
0,96
 
95%
Rio de Janeiro-RJ  
06:00
 
-----
 
---
 
---
 
06:16
 
03º
 
85º
 
16
 
0,50
 
39%
Salvador-BA  
05:39
-----
---
---
06:27
11º
84º
48
0,82
77%
São Luis-MA  
05:59
-----
---
---
06:34
08º
86º
35
0,90
88%
São Paulo-SP  
06:14
 
-----
 
---
 
---
 
06:15
 
00º
 
86º
 
01
 
0,47
 
37%
Teresina-PI  
05:54
 
-----
 
---
 
---
 
06:33
 
09º
 
86º
 
39
 
0,98
 
98%
Vitória-ES  
05:48
 
-----
 
---
 
---
 
06:19
 
07º
 
84º
 
31
 
0,58
 
49%

 

TABELA 2 - EFEMÉRIDES DO ECLIPSE PARA NATAL
 

LOCAL  
N
 
Início
 
h
 
Az
 
Máximo
 
h
 
Az
 
Fim
 
h
 
Az

Natal-RN  
05:24
05:35
02º
86º
05:36
02º
86º
05:37
03º
86º

Fim do Eclipse  
06:35
 
17º
 
85º
      Grandeza (g)      
1,006
Duração da Totalidade
1 m
 
33 s
      Obscurecimento      
100%


OBSERVANDO O ECLIPSE


NÃO APONTE INSTRUMENTOS ÓPTICOS DIRETAMENTE PARA O SOL.
CEGUEIRA INSTANTÂNEA SERÁ O RESULTADO MAIS PROVÁVEL !

A observação do eclipse implica na observação do Sol. Portanto, todo o cuidado é pouco e a advertência anterior é fundamental e deve ser rigorosamente obedecida. A utilização de filtros deve ser feita, também, com bastante cuidado e critério, evitando-se o uso de materiais e de procedimentos cuja segurança não tenhamos certeza. Não há porque evitar a observação do eclipse e vê-lo pela televisão ou pela Internet. A observação de fenômenos astronômicos, com os devidos cuidados, deve sempre ser feita "ao vivo e em cores"! Aqui vão algumas "dicas" para que você observe o eclipse com segurança:



"Filtros" e "Métodos" que não devem ser utilizados

Não são seguros os seguintes "filtros" e não devem ser utilizados os "métodos" de observação adiante descritos, pois não eliminam o UV ( ultra-violeta ) e o IV ( infra-vermelho) prejudiciais à visão:

1. "Sanduiches" de pedaços de filmes preto e branco velados ou "sanduiches" de pedaços de filmes coloridos velados ( este último "método" é ainda pior );

2. Vidros esfumaçados, vidros coloridos, pedaços de garrafas;

3. Olhar para o reflexo do Sol em uma bacia com água;

4. Óculos escuros, lentes polaróides ou óculos que "filtram" UV, mesmo que, de acordo com o fabricante, a redução de UV seja grande;

5. Papéis celofanes de quaisquer cores em folhas simples ou associados em "sanduiches";

6. Pedaços escuros de radiografias ( chapas de Raios-X );

7. Não utilize filtros que se acoplem à ocular do seu telescópio, mesmo que tenham vindo junto com o telescópio e indicados pelo fabricante. O calor gerado durante a exposição ao Sol pode romper o filtro expondo a sua vista aos raios solares;

8. Não "adapte" um vidro para máscara de soldador ( mesmo o de nº 14 ) à ocular ou à objetiva do telescópio.



Como acompanhar o fenômeno com segurança

Para a observação do eclipse e do disco solar, sem o uso de equipamento óptico, é necessário a utilização de um filtro. Um filtro muito eficiente, de baixo custo e de fácil aquisição é o vidro para máscara de soldador nº 14. Colocando-o diante dos olhos, é possível atenuar bastante o brilho solar e filtrar as radiações nocivas aos olhos evitando prejuízos à visão. A observação deve ser feita por breves períodos e seguidos de períodos de "descanso". Assim, um bom procedimento é observar o Sol através do vidro por uns 5 a 10 segundos e depois "descansar" por uns 10 ou 20 segundos.


Como acompanhar o fenômeno utilizando um telescópio

O leitor que disponha de uma luneta ou de um telescópio, poderá utilizá-lo no acompanhamento do fenômeno servindo-se do método de projeção da imagem como ilustrado na figura abaixo. O observador deve providenciar uma tela branca para projeção ( cartolina ou papel sulfite ) e um anteparo para produzir sombra na tela de projeção aumentando o contraste da imagem.

Fig.08 - Observação do Sol por projeção.
Fig. 5 - Observando o Sol pelo método da projeção.

O método de projeção, além de seguro, possui a vantagem de permitir a observação do disco solar simultaneamente por várias pessoas. O método poderá depois ser utilizado por aqueles que desejarem acompanhar o Sol e fazer os registros diários das manchas solares. Orientações sobre como proceder na prática deste importante trabalho de observação astronômica serão objeto de futuras publicações na série Astronomia & Astrofísica.

Existem, também, filtros que podem ser acoplados à objetiva de telescópios, permitindo a observação direta através da ocular do equipamento. Esses filtros, denominados MYLAR, são constituidos por um filme plástico ( ou um celulóide ) sobre o qual está depositada uma camada metálica que reflete grande parte da luz solar e produz forte absorção deixando que apenas uma pequena porcentagem da luz solar atinja a ocular.

Fig. 6 - A faixa de totalidade do eclipse sobre o globo terrestre.



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Produção, autores e contatos

Autor: Irineu Gomes Varella

Astrônomo. Diretor do Planetário e Escola
Municipal de Astrofísica de São Paulo,
no período de 1980 a 2002.

Autora: Priscila D. C. F. de Oliveira

Coordenadora do Centro de Documentação
Técnica e Científica em Astronomia do
Planetário e E. M. de Astrofísica de S Paulo.

Ultima atualização: 15.MAR.2006
Web Designer: Walter Torres Varella - waltervarella@ig.com.br


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