nº 033
28 de Julho de 2008

Eclipse Parcial da Lua

16 de Agosto de 2008

     
Irineu G. Varella & Priscila D. C. F. de Oliveira
 

 
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE OS ECLIPSES DA LUA
 
Os eclipses da Lua ocorrem toda vez que o nosso satélite penetra, parcial ou totalmente, no cone de sombra projetado pela Terra no espaço. Estando, portanto, do lado oposto ao Sol, os eclipses lunares só podem ter lugar quando a Lua passa pela fase de cheia.


Fig. 1 - Esquema geral de ocorrência dos eclipses lunares.

 

Iluminada pelo Sol, a Terra projeta no espaço dois cones: um de sombra e um de penumbra. Em seu movimento orbital ao redor da Terra, em certas ocasiões, a Lua penetra no cone de penumbra e temos o chamado eclipse penumbral, muito dificil de ser observado, uma vez que a atenuação do brilho lunar é quase imperceptível. Em determinadas condições a Lua pode atravessar parcial ou totalmente o cone de sombra, ocorrendo aí, o ECLIPSE LUNAR propriamente dito.

 
Fig. 2 - Eclipses lunares parciais: a Lua não adentra totalmente no cone de sombra da Terra.
 

No início da noite de 16 de agosto poderemos acompanhar ( se as condições meteorológicas permitirem ) as fases finais de um ECLIPSE PARCIAL DA LUA, cujas etapas ocorrerão nos horários relacionados na tabela adiante. Os horários foram calculados pelo método clássico, com aumento de 2% no raio angular aparente da sombra e da penumbra e pelo método de Danjon introduzindo-se correções no valor da paralaxe lunar. Como o eclipse se inicia com a Lua abaixo do horizonte, nem todas as localidades poderão acompanhar o fenômeno em todas as suas fases.

 
Os horários das ocorrências das diversas fases, relacionados na TABELA 1, valem para o fuso horário (-3h) ou 3h oeste de Greenwich e que corresponde ao Tempo Legal do Distrito Federal (TDF). Para as localidades situadas nos fusos (-4h) subtrair 1h dos horários indicados. Assim, por exemplo, em Manaus-AM, situada no fuso (-4h), o meio do eclipse se dará às 17h 10m.
 
 
 
TABELA 1 - HORÁRIOS DAS OCORRÊNCIAS DAS DIVERSAS FASES
 
FASES
F
DATA
CLÁSSICO
DANJON
1
Entrada da Lua na penumbra
P1
16.08.2008
15h 23m
15h 25m
2
Entrada da Lua na sombra
U1
16.08.2008
16h 35m
16h 36m
3
Meio do eclipse
M
16.08.2008
18h 10m
18h 10m
4
Saida da Lua da sombra
U4
16.08.2008
19h 45m
19h 44m
5
Saida da Lua da penumbra
P4
16.08.2008
20h 57m
20h 55m
6
LUA CHEIA
LC
16.08.2008
18h 17m
 
 
TABELA 2 - OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE O ECLIPSE
 
   
CLÁSSICO
DANJON
Duração do eclipse pela sombra
U4 - U1
03h 10m
03h 08m
Duração do eclipse
P4 - P1
05h 34m
05h 30m
Grandeza do eclipse pela sombra
g
0,8124
0,8076
 
 
O diagrama seguinte representa um corte da região da penumbra e da sombra projetadas pela Terra, na posição correspondente à distância da Lua, ilustrando as diversas fases do fenômeno que poderá observado. A Lua permanecerá parcialmente imersa na sombra da Terra ( intervalo U4-U1 ) durante 03 horas e 10 minutos.

Fig. 3 - As diversas etapas do eclipse parcial da Lua de 16 de agosto de 2008.

 
 
 
A OBSERVAÇÃO DO ECLIPSE
 

O eclipse poderá ser observado a olho nu ou com o auxílio de binóculos, lunetas ou telescópios, uma vez que este fenômeno não traz quaisquer prejuízos à visão, ao contrário do que ocorre com os eclipses solares. O amador em astronomia que disponha de um pequeno instrumento para a observação poderá acompanhá-lo cronometrando os instantes das diversas fases, assim como a passagem da sombra pelas inúmeras crateras, mares e montanhas lunares.

Durante o eclipse, a Lua estará localizada na constelação de Capricornus ( Capricórnio ). O limbo nor-noroeste do disco lunar estará, no meio do eclipse, distante 5,9' da borda da sombra e o limbo lunar sul-sudeste estará a 16,5' do centro da sombra ( veja a figura 3 ). Desta forma, diferentes regiões da Lua estarão em diferentes partes da sombra e poderemos notar diferenças no brilho e na coloração do disco lunar. O limbo norte, situado externamente à região da sombra, se apresentará bem claro e o limbo sul bem mais escuro.

 
 
IMPORTÂNCIA DOS ECLIPSES LUNARES
 

Do ponto de vista científico os eclipses lunares têm menor importância que os eclipses solares. Mesmo assim, há observações e medidas que permitem melhorar o conhecimento científico. Por exemplo: a observação da Lua na faixa do infra-vermelho, durante a sua entrada na sombra da Terra e no período em que ela se encontra mergulhada no interior do cone de sombra terrestre, oferece material científico para se estudar as variações das temperaturas na superfície lunar à medida que nosso satélite é obscurecido.

As observações das diversas fases do eclipse lunar e a cronometragem dos instantes em que a sombra da Terra passa por algumas crateras lunares, permitem, pela comparação entre os instantes observados e os previstos, melhorar o nosso conhecimento sobre o movimento orbital da Lua, sobre o movimento de rotação da Terra e aprimorar os métodos de cálculo e as teorias de previsão dos eclipses.

Dois procedimentos são utilizados para o cálculo dos horários das diversas fases de um eclipse lunar: o chamado método clássico que considera os raios aparentes da sombra e da penumbra aumentados em 2% para dar conta dos efeitos da atmosfera terrestre e o método devido ao astrônomo francês André Danjon que utiliza um valor aumentado da paralaxe lunar para dar conta dos efeitos citados. No primeiro procedimento os tamanhos da sombra e da penumbra são aumentados na mesma proporção enquanto que no segundo método os aumentos são desiguais, o que provoca alteração nos instantes previstos pelos dois métodos.

A observação e a cronometragem cuidadosas dos instantes em que a sombra da Terra passa por algumas crateras lunares permitem acumular dados para que se possa calcular o aumento de tamanho da sombra terrestre e decidir qual dos dois procedimentos oferece os melhores resultados no cálculo da previsão.

São necessários para isso, além de um pequeno telescópio ou um binóculo, um relógio aferido e um mapa da superfície lunar para que possam ser identificadas as crateras. A tabela adiante fornece os instantes previstos para a passagem da sombra terrestre em algumas crateras de grande tamanho. Os instantes foram calculados pelo astrônomo norte-americano Fred Espenak, da NASA.

 
 
TABELA 3 - PASSAGEM DA SOMBRA TERRESTRE
POR ALGUMAS CRATERAS DA LUA
 
Horários em Tempo Legal do Distrito Federal ( TDF = TU - 3h )
 
 
IMERSÃO
CRATERA
EMERSÃO
CRATERA
16:43
Grimaldi
18:28
Aristarchus
16:47
Billy
18:35
Timocharis
16:54
Campanus
18:39
Pytheas
16:59
Tycho
18:43
Grimaldi
17:03
Kepler
18:43
Kepler
17:11
Aristarchus
18:49
Copernicus
17:14
Copernicus
18:53
Billy
17:22
Pytheas
18:57
Manilius
17:32
Dionysius
18:58
Menelaus
17:34
Timocharis
19:01
Plinius
17:35
Manilius
19:07
Proclus
17:38
Goclenius
19:09
Campanus
17:41
Menelaus
19:11
Dionysius
17:44
Langrenus
19:18
Taruntius
17:45
Plinius
19:22
Tycho
17:49
Taruntius
19:30
Goclenius
17:57
Proclus
19:33
Langrenus
 
 
OUTRAS INFORMAÇÕES TÉCNICAS SOBRE O ECLIPSE
 

Série: O eclipse parcial da Lua de 16 de agosto de 2008 é a repetição, após um período de Saros, do eclipse parcial ocorrido em 06 de agosto de 1990, invisível no Brasil. Ambos fazem parte da Série de Saros de Eclipses Lunares nº 138, que se desenvolve em torno do nodo ascendente da órbita lunar e que teve início com o eclipse penumbral parcial ocorrido em 05 de outubro de 1503 e que se encerrará com o eclipse penumbral parcial de 30 de março de 2982. A série em questão terá, portanto, a duração de 1.478 anos. O presente eclipse é o 29º da série composta por 83 eclipses ( 43 penumbrais, 14 parciais e 26 totais ).

Ponto Sub-lunar: No instante do meio do eclipse a Lua estará muito próxima do zênite dos observadores situados nas Ilhas Comores, entre Moçambique e Madagascar.

 
 
TABELA 4 - COORDENADAS E GRANDEZAS GEOMÉTRICAS NO MEIO DO ECLIPSE
 
1
Ascensão Reta do centro da sombra
21h 46m 37,17s
2
Declinação do centro da sombra
-13° 24' 18,18"
3
Ascensão Reta do centro da Lua
21h 45m 41,85s
4
Declinação do centro da Lua
-12° 55' 29,36"
5
Diâmetro aparente da Lua
30' 42,2"
6
Paralaxe equatorial da Lua
0° 56' 20,54"
7
Paralaxe equatorial do Sol
8,69"
8
Diâmetro aparente da sombra
1º 22,52'
9
Diâmetro aparente da penumbra
2º 25,71'
 
 
TABELA 5 - OS PRÓXIMOS ECLIPSES DA LUA
 
DATA *
TIPO
VISIBILIDADE NO BRASIL
01
2009.FEV.09
Penumbral
Invisível no Brasil.
02
2009.JUL.07
Penumbral
Invisível no Brasil.
03
2009.AGO.05
Penumbral
Observável em todo o território brasileiro.
04
2009.DEZ.31
Parcial
Invisível no Brasil.
05
2010.JUN.26
Parcial
Invisível no Brasil.
06
2010.DEZ.21
Total
As fases finais serão invisíveis no Brasil.
07
2011.JUN.15
Total
Somente as fases finais serão visíveis no Brasil.
08
2011.DEZ.10
Total
Invisível no Brasil.
09
2012.JUN.04
Parcial
Invisível no Brasil.
10
2012.NOV.28
Penumbral
Invisível no Brasil.

* As datas referem-se ao instante do meio do eclipse em tempo legal do fuso -3h ( Tempo Legal do Distrito Federal - TDF ).

 

 
 
URANOMETRIA NOVA - Produção, autores e contatos

Irineu Gomes Varella

Astrônomo. Diretor do Planetário do Ibirapuera e
da Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo,
no período de 1980 a 2002.

Priscila D. C. F. de Oliveira

Coordenadora do Centro de Documentação Técnica e Científica em Astronomia do Planetário e E. M. de Astrofísica de S Paulo.

Web Designer: Irineu Gomes Varella

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