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Deuses
e Planetas |
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Priscila
Di Cianni Ferraz de Oliveira * |
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Júpiter, por exemplo, é um astro muito brilhante e razoavelmente estável, possui um período sideral de quase 12 anos. Já Saturno, mais distante, é menos brilhante e possui um período sideral de 29,5 anos, lento demais para ser um ordenador. Assim Saturno (Cronos) tornou-se o pai de Júpiter. Mais distante e menor é, também, menos brilhante, característica que o torna “o velho”. Vênus, lindo e brilhante (é o segundo astro mais brilhante do céu noturno, superado apenas pela Lua) é inconstante, pois às vezes surge pela manhã, e às vezes à tarde. Tornou-se, assim, a bela e sedutora deusa do amor e senhora da luxúria. Marte,
vermelho como o sangue derramado nas guerras, tornou-se o símbolo
do Deus da Guerra. Mercúrio,
com seu rápido movimento, simboliza o mensageiro dos deuses, veloz
e furtivo. A Lua, com suas fases, é a senhora absoluta das mulheres
e da magia, da morte e do renascimento. O Sol, que tudo clareia eliminando
as trevas, é Helios, e mais tarde, Apolo, deuses invocados nos
juramentos, pois deles nada pode ser escondido. A sacralização da natureza, sejam os planetas ou as suas manifestações (chuva, trovão, vento...) é comum a várias culturas antigas e é possível encontrar até os dias de hoje, em povos como os aborígenes, algumas tribos africanas, índios e mesmo entre vários grupos de cultura popular. Em algumas regiões do Brasil, a crença em Iara, no boto, no curupira convivem com os santos e com o deus cristão. Entre os árabes, a existência dos Djins ainda é crença comum. A Igreja Católica transformou muitas das deusas das nascentes de água em santas, e as águas sacralizadas pelos antigos em milagrosas por interferência destas. Santos católicos também respondem por manifestações da natureza, sendo supostamente capazes de interferir em sua força, como Santa Bárbara, invocada durante as tempestades. Concluindo, é importante não confundir o objeto sagrado, seja ele um planeta, uma fonte ou o vento, com o que ele representa. Esse processo de sacralização do profano é chamado de hierofania. |
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