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| da Astronomia | ||||||||||||
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| Nº 019 | 31
de Agosto de 2005 |
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A
DESCOBERTA DO PLANETA NETUNO |
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Priscila
Di Cianni Ferraz de Oliveira * |
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Noite de 23 de setembro de 1846. Límpida e sem luar. O silêncio no Observatório era apenas quebrado pelo leve ruído do telescópio em movimento e pela suave e regular batida do pêndulo do relógio sideral. - Esta
estrela não consta da carta, afirmou o Prof. Johann. Após alguns minutos veio a confirmação: - O senhor tem razão Prof. Johann. Creio que já encontramos o planeta do sr. Leverrier e bem próximo da posição por ele indicada. Pode bem ter sido esta a conversa que mantiveram, naquela noite, os astrônomos Johann Galle e Heinrich D'Arrest enquanto procuravam pelo planeta indicado alguns dias antes, em uma carta dirigida ao Observatório de Berlim, pelo astrônomo Leverrier. *** |
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Menos de uma hora de trabalho observacional foi necessário, na noite do dia 23 de setembro de 1846, para que os astrônomos Johann Gottfried Galle (1812-1910) e seu assistente Heinrich Louis D'Arrest (1822-1875), ambos do Observatório de Berlim, encontrassem um novo planeta do Sistema Solar - o planeta Netuno - o oitavo em ordem de distância ao Sol e o quarto em tamanho.
Galle havia recebido uma carta de seu colega Urbain Jean Joseph Leverrier (1811-1877), astrônomo do Observatório de Paris, com instruções para a busca desse novo astro, isso porque, os mapas do Observatório de Berlim eram excelentes e, portanto, um objeto com aspecto estelar, no local indicado e com o brilho calculado e que não estivesse assinalado no mapa, seria facilmente identificado. Leverrier, demonstrou por cálculos que as perturbações no movimento do planeta Urano, não eram devidas a falhas na teoria da gravitação de Newton e nem poderiam ser explicadas apenas pela presença dos planetas Júpiter e Saturno e sim, pela existência de um outro corpo. Ele chegou a calcular a massa e a órbita desse novo planeta. Trabalhando de forma completamente independente, outro jovem astrônomo, o inglês John Couch Adams (1819-1892), na época com 24 anos de idade, também chegou à mesma conclusão. Determinou também a órbita e a posição do novo corpo, situando-o na constelação de Aquarius. A posição calculada por Adams para o novo planeta diferia em apenas 1º da obtida por Leverrier. Adams chegou a enviar seus cálculos para o astrônomo real George Bidell Airy (1801-1892), mas embora tenha tentado por três vezes que ele o recebesse, não o conseguiu, pois Airy estava sempre ocupado. Adams acabou por se ofender e não mais o procurou para discutir a sua possível descoberta. Quando Airy soube dos trabalhos de Leverrier, solicitou que James Challis (1803-1882) diretor do Cambridge Observatory, utilizando os cálculos de Adams, iniciasse uma busca minuciosa pelo novo astro. Os mapas do Observatório, no entanto, não eram atualizados e muitas estrelas não assinaladas nos mapas tinham que ser observadas por várias noites na tentativa de se detectar o deslocamento aparente típico de um planeta, o que tornou o trabalho lento. No dia 1º de outubro de 1846, o jornal "The Times" anunciou a descoberta do novo planeta. Leverrier batizou-o com o nome de Netuno. Logo surgiu uma disputa entre franceses e ingleses sobre quem teria sido o real descobridor de Netuno. Hoje em dia, a comunidade astronômica considera que ambos têm os créditos pelos cálculos que propiciaram a sua descoberta. Por
incrível que pareça, Netuno já havia sido observado
diversas vezes e por vários astrônomos antes de sua descoberta
e que não identificaram corretamente a natureza do corpo que
estavam observando, confundindo-o com uma estrela. Entre eles estão:
Galileu em 1612, Lalande em 1795, Herschel em 1830 e Von Lamont que
o observou apenas 12 dias antes da descoberta de Galle e D'Arrest.
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